''É bom ser mulher!!!!
Porque podemos ser todas em uma só, fortes e corajosas, frágeis e acessíveis, mães, filhas, amantes, donas de casa, profissionais.
Somos sensíveis e analisamos no dia-a-dia a melhor maneira de demonstrar o que pensamos .
"Nosso cérebro dá conta de vários serviços ao mesmo tempo.
''Porque mulheres são como chocolates. Podem ser brancas ou negras. Podem ser doces ou amargas. Podem até virem acompanhadas, mas no final todo mundo gosta.''
Irene Mell
Apoio, compreensão e honestidade dos pais são fundamentais quando o jovem se sente indeciso diante do vestibular:
Com o fim do segundo grau, é comum ver adolescentes completamente alucinados com as primeiras dúvidas da vida adulta que surgem: vestibular, carreira, sonho, futuro e sucesso profissional. Imaginar um futuro coerente aos 17 ou 18 anos não é tarefa fácil para ninguém. Escolher o que se vai fazer para o resto da vida quando se teve quase nenhuma responsabilidade até então pode ser um dilema e tanto – tanto para filhos como para os pais. “Os adolescentes de hoje são muito menos maduros que antigamente, e é natural que os adultos fiquem tensos com as suas decisões. Os pais esperam que seus filhos vão para faculdade e, por isso, fazem uma pressão na hora da escolha”, afirma a psicóloga Heloisa Schauff, especialista em terapia de casal e família.
Para o adolescente, não se intimidar com essa pressão dos pais para fazer faculdade pode ser bem difícil. Em um mundo cada vez mais competitivo, no qual às vezes um diploma apenas não basta, escolher trilhar o próprio caminho fora do mundo acadêmico requer coragem e decisão. Não é todo mundo que pode optar por tirar um tempo para viajar o mundo, fazer cursos livres ou dedicar-se à música, por exemplo. Porém, há quem bata no peito, banque os sonhos e consiga convencer os pais, com muita conversa, de que parar os estudos por um tempo talvez seja a melhor saída.
Mauricio Contreras/ Fotoarena
Dez anos depois do fim do segundo grau - e já proprietário de um estúdio - José Neto ingressou na faculdade de Música
José Martins Neto, 28 anos, foi um adolescente que, por não gostar de estudar, acabou largando a faculdade após cursar os primeiros seis meses. “Eu sempre fui um péssimo aluno, foi muito difícil terminar a escola, e, quando terminei, não queria continuar estudando. Cheguei a entrar em Rádio e TV porque rolava uma pressão da escola e dos meus pais, mas eu não achava que tinha que ir para a faculdade”, conta.
Ele revela que sua verdadeira paixão é a música e que, após o primeiro semestre cursando algo que detestou, decidiu largar tudo para virar baterista. “Falei com os meus pais e decidi fazer um curso em um conservatório. Foi complicado convencer meu pai especialmente, mas, por mais que ele não tenha achado a minha decisão ótima, acabou me apoiando”, explica. O resultado é que, algum tempo depois, José acabou montando um estúdio com um amigo e cavou seu próprio espaço no mundo da música. “Demorou para a gente dar certo, investimos tempo, dinheiro e tivemos que ter paciência. Mas hoje vivo de música, toco e trabalho com gravação e produção”.
E, passados dez anos do fim do colegial, ele finalmente decidiu cursar uma faculdade. De música, claro. “Bateu vontade, senti que estava defasado em teoria musical. Não acho que devia ter feito isso logo que saí da escola, não tinha maturidade e provavelmente não iria aguentar”, afirma.
O carioca Rodrigo de Sousa Deodoro, 24 anos, também optou por não fazer faculdade logo após terminar o segundo grau. Acostumado a trabalhar desde os 15 anos, ele conta que não tinha dinheiro para pagar os estudos e não conseguia se decidir por um curso. “Eu não tinha parado para pensar sobre isso. Comecei a trabalhar cedo e sempre pulei de um emprego para o outro. Depois de um tempo, vi que estava me virando bem sem fazer faculdade. Na verdade, até agora, esse esquema tem funcionado bem para mim”, diz.
Rodrigo conseguiu driblar a pressão dos pais e continuar no mercado de trabalho. “Meus pais não fizeram faculdade e, até certo ponto, tive liberdade para escolher por mim mesmo o que fazer da minha vida. Porém, é claro que rolava aquela vontade de ter o filho conquistando uma coisa que eles não tiveram a oportunidade de conquistar”, afirma.
Apoio moral
A psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em terapia familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), defende iniciativas como as de José e Rodrigo. “Com 17 ou 18 anos, a maioria dos adolescentes não tem maturidade para decidir o que vai fazer para o resto da vida. Seria muito bom se todos tivessem a oportunidade de, após a escola, tirar um tempo para viajar e se conhecer melhor”, fala.
A psicóloga recomenda que os pais não pressionem os filhos na hora da escolha do curso e, especialmente, não tomem a decisão por eles. “O melhor caminho no momento da dúvida do adolescente é, com calma, mostrar tudo o que ele pode aprender dali para a frente e apoiá-lo a conhecer profissões. Faculdade não é tudo, existem cursos técnicos bons, por exemplo. A pressão não gera bons resultados”.
Ao não ingressar em um curso superior logo depois do colegial, no entanto, não quer dizer que seu filho vá ficar em casa de papo para o ar. Heloísa fala sobre a opção de trabalhar enquanto o adolescente não sabe o que quer cursar na faculdade. “É uma alternativa bárbara, porque ele descobre cedo o que são regras e, já inserido no mundo do trabalho, conhece os rumos que pode tomar. A escolha da profissão acontece muito cedo, com o adolescente quase sempre muito protegido pelos pais. Por causa disso, muitos acabam fazendo faculdades das quais não gostam”, afirma.
E se seu filho já entrou em um curso, mas dá sinais de que pode ter feito a escolha errada, relaxe – e o apoie. A psicóloga orienta os pais a deixarem os filhos à vontade para mudar de profissão caso eles percebam que fizeram a opção errada. “O papel dos pais é orientar e questionar, mas respeitando o momento de dúvida. Não dá para obrigar um filho a fazer um curso que ele não quer”.
Especialistas mostram como agir de maneira correta para orientar os filhos na carreira, sem impor a própria vontade a eles
Ainda hoje, muitos pais desejam que os filhos sigam a mesma profissão deles. Esta é uma maneira que encontram para se sentir realizados e reconhecidos pelos seus descendentes. O problema maior acontece quando esta vontade passa a ser uma fixação e, o pior, vira pressão para que o jovem trilhe um determinado caminho. “Os pais devem aprender a escutar o filho, a respeitar sua escolha e entender que ele só será bem sucedido na profissão que realmente gostar”, explica a psicóloga Nancy Erlach Danon, especialista na área na área cognitiva-comportamental.
Por outro lado, há pais que não conversam com os filhos sobre carreira ou não demonstram interesse em saber o que eles estão planejando para o futuro. O psicólogo Fabiano Fonseca da Silva, do Serviço de Orientação Profissional da USP, acredita que o tema profissão deve ser inserido na família “desde sempre”. É importante perguntar para a criança o que ela quer ser quando crescer e, especialmente na adolescência, conversar claramente com o filho sobre o assunto, para que ele perceba que tem um suporte familiar para decidir.
O ideal é que os pais prestem uma espécie de “consultoria” aos filhos, para orientar sem influenciar, mostrando os prós e os contras das carreiras cogitadas. Isso pode se mostrar um desafio quando você é um apaixonado pelo seu trabalho ou se tem algumas frustrações com a carreira. Por isso, se for preciso, vale levá-los a testes vocacionais ou apresentá-los a profissionais de diversas áreas, para que possam sentir as distintas realidades do mercado de trabalho.
Conheça algumas histórias de pais que incentivaram os filhos a optar pela mesma carreira – ou o oposto – e outros que não opinaram e deixaram os jovens à vontade para decidir qual profissão seguir. E aprenda as lições de cada um delas.
Amana Salles/Fotoarena
Leandro seguiu os passos do pai Eurides, camiseiro, por conta própria
Camiseiro segue o ofício do pai, mesmo sem ter recebido qualquer incentivo
A rotina do camiseiro Leandro Fernandes é agitada. Aos 28 anos, ele atende clientes, organiza a produção da confecção e resolve problemas administrativos na Camisaria Eurides – empresa que o pai dele, Eurides Fernandes, fundou há 40 anos. Quando Leandro percebeu que o curso de Turismo não lhe traria o futuro desejado, ele próprio decidiu ir trabalhar com o pai, que nunca o havia incentivado para seguir a mesma carreira. Na época com 21 anos, o então estudante Leandro foi aprendendo o ofício de camiseiro – tão pouco comum entre os mais jovens – e, aos poucos, abraçou novas atividades, como a parte administrativa. “Meu pai sempre nos deu a liberdade de fazer o que queríamos. Embora ele nunca tivesse sugerido que eu tocasse o negócio, eu acabei vindo, dando ideias e ele aceitou”, diz Leandro.
Prestes a se aposentar, Eurides chegou a cogitar a possibilidade de fechar o negócio. Mas Leandro deu novo ânimo à camisaria: ampliou o atendimento, contratou novos funcionários e modernizou a produção. “Fiquei muito feliz em saber que meu filho queria seguir em minha área. Me sinto homenageado”, diz o pai.
Palavra do especialista: A psicóloga Angélica Capelari, professora da Faculdade de Psicologia da Universidade Metodista, em São Paulo, diz que nem sempre a influência dos pais ocorre de maneira direta. Muitas vezes, assim como no caso de Leandro, o estímulo acontece por meio do exemplo deixado pelos mais velhos. “Os filhos observam tudo. Se eles veem os pais como modelo bem-sucedido podem ser incentivados indiretamente a seguir a mesma carreira”, explica.
Nutricionista não quis seguir a carreira em odontologia, apesar da vontade da mãe
Até o último minuto, a dentista Rada El Achkar da Silva acreditou que a filha Karla fosse seguir a sua profissão. A decepção veio quando a garota, aos 18 anos, chegou em casa com a inscrição para o vestibular de Nutrição. “Meu sonho era que ela trabalhasse no consultório comigo”, conta a mãe. Karla, ainda criança, acompanhava a mãe no trabalho e demonstrava até mesmo uma certa aptidão. “Teve um dia em que ela pediu para esculpir um dentinho na cera e falou: ‘mãe, eu vou ser dentista igual a você’”, suspira a mãe.
Mas Karla cresceu e mudou de ideia. “Odonto era uma possibilidade, mas não a que mais me atraía. Não conseguia me ver como dentista”, afirma a filha. Já formada, ela é nutricionista de um hospital e adora o que faz. A mãe, Rada, apesar de ter ficado chateada na época, acabou apoiando a decisão da jovem. “Hoje eu vejo que ela está feliz, gosta do que faz e tenho muito orgulho dela”.
Palavra do especialista: Para a psicóloga Nancy Erlach Danon, os pais não devem colocar suas próprias vontades, mas sim servir de orientadores. “O pai conhece seu filho e, lógico, sabe o que ele gosta ou não. Portanto, deve atuar como intermediador e consultor na escolha profissional”, afirma.
A biologia uniu ainda mais mãe e filha
Paula Ferro e Silva Capucho quase nasceu no trabalho da mãe, a bióloga Regina Ruivo Ferro e Silva. Literalmente. “Eu trabalhei até as quatro horas da tarde e a Paula nasceu às oito da noite daquele dia”, conta. A convivência com o universo de trabalho da mãe continuou por toda a infância. Sem ter com quem deixar os dois filhos pequenos, Regina muitas vezes levava as crianças para o laboratório – e começou a notar que a menina estava sempre curiosa para saber como as coisas funcionavam. “Eu passava horas ali. Ela me mostrava as coisas no microscópio e fui pegando gosto pela profissão”, conta Paula.
O gosto foi tanto que Paula seguiu a mesma especialidade da mãe, em bacteriologia, e chegaram até a atuar em parceria em um projeto de pesquisa sobre tuberculose. “Publicamos dois trabalhos juntas em revistas internacionais. É muito bom tê-la na mesma profissão”, diz Regina.
Palavra do especialista: O peso da influência familiar na escolha da profissão dos filhos é grande, pois os filhos “respiram” o ambiente de trabalho dos pais – como no caso de Paula. “Se eles são bem sucedidos, gostam do que fazem e têm orgulho da profissão, certamente isto influenciará positivamente na decisão dos filhos”, explica a psicóloga Nancy Erlach Danon. Porém, o contrário também acontece: se os pais não forem realizados na profissão que escolheram, este fator pode afugentar os filhos dela.
Apoio para as filhas atuarem em outras carreiras
A fonoaudióloga Rosana Maimeri é apaixonada por sua profissão. Dedicada, atua há 30 anos na área e fez diversos cursos de especialização. No entanto, por considerar que o mercado de trabalho neste campo ainda é um pouco restrito, acabou desestimulando as filhas Gabriela e Carolina a seguirem o mesmo caminho. “Eu nunca disse para elas ‘não façam fonoaudiologia’, mas elas mesmas foram vendo as dificuldades que passei até me estabelecer na profissão”, conta Rosana.
Com isso, naturalmente, as filhas optaram por outras carreiras. A mais velha, Carolina, com 19 anos, cursa Economia e já faz estágio na área. Gabriela, de 17 anos, vai começar a faculdade de Direito. “Apesar de termos crescido no consultório dela, a profissão não nos interessou. Acho que é uma carreira ainda pouco reconhecida”, comenta Gabriela.
Palavra do especialista: De acordo com a psicóloga Angélica Capelari, é importante mostrar aos filhos como é a verdadeira realidade de uma profissão. No entanto, o fato de querer evitar que eles passem pelas mesmas dificuldades não vai livrá-los de enfrentar problemas em outras carreiras. “O que se pode fazer é dar dados reais, mas, ao mesmo tempo, mostrar ao filho como superar os possíveis obstáculos”, aconselha.
Como tratar assuntos como sexo, drogas, vida escolar e profissão? Especialistas e mães compartilham orientações e experiências
Alexandre Carvalho/Fotoarena
Mariângela e o filho João, de 15 anos: acompanhamento e caronas para as festinhas
Depois de noites maldormidas porque seu filho queria mamar ou fez xixi na cama, chega a adolescência e os motivos das noites maldormidas são substituídos: preocupar-se com o paradeiro dele ou buscá-lo em festinhas durante a madrugada são alguns. Pelo menos é o que a agente de viagens Mariângela Pinto Ferreira, de 50 anos, faz atualmente por seu filho João, de 15: ela prefere levá-lo e buscá-lo nas festas para, entre outros motivos, estar mais próxima a ele. Esta proximidade, nesta fase, é mais necessária do que alguns pais podem imaginar. E deve estar permeada de conversas e esclarecimentos.
As alterações físicas e comportamentais da adolescência aumentam as possibilidades de conflitos entre pais e filhos dentro de casa e, além disso, podem deixar os pais tão preocupados a ponto de não saberem como agir. Com a exposição e proximidade dos adolescentes ao sexo e às drogas, circunstâncias que amedrontam a maioria dos pais, além das diversas dificuldades potenciais do ambiente escolar e das relações sociais, orientar e educar os filhos já jovens parece um trabalho ainda mais árduo do que criá-lo através da infância. Mas não é. Um dos princípios a serem seguidos é o exemplificado por Mariângela: estar realmente ao lado.
Segundo o médico hebiatra Maurício de Souza Lima, vice-presidente do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo, conversar com naturalidade, mesmo sobre assuntos desconfortáveis, é uma das principais atitudes que os pais devem tomar nesta fase da vida do filho. “Muitos pais têm dificuldades com isso, mas é o melhor caminho para ter êxito na criação”, diz. Mas nada de chamar o filho de canto para tratar de “assuntos sérios”. À medida que a criança vai crescendo, os assuntos devem ser naturalmente inseridos na conversa por meio da televisão, das revistas, até mesmo dos vizinhos. De acordo com o médico, aproveitar as informações para emitir opiniões ao filho, mesmo que ele só escute, já é um grande passo.
Para o psicólogo especialista em adolescentes Caio Feijó, estar bem informado sobre a maioria dos assuntos é essencial. “Nas questões relativas a sexo e drogas, por exemplo, pais não tão informados quanto os filhos não conseguem se comunicar”, afirma. Autor dos livros “Pais Competentes, Filhos Brilhantes” (Novo Século Editora) e “Educando Filhos e Alunos (Histórias de Sucesso)” (Ajir Editora), entre outros, ele conta que, sabendo mais que os filhos, os pais ganham o respeito e o interesse dos menores pelos conselhos.
Vamos falar de sexo?
Para a dona de casa Joanisa de Campos Leite Ascava, 51 anos, falar com os seis filhos – Lívia, Caio, Daniel, Luisa, Arthur e Letícia – sobre sexo durante a adolescência não foi algo simples. Por medo de que eles abreviassem a vida sem preocupações típica da fase e tivessem que assumir um filho antes da hora, ela sempre reforçou que, caso isso acontecesse, os filhos assumiriam toda a responsabilidade e a juventude deles chegaria ao fim. Mesmo assim, Joanisa nunca chegou a falar às filhas sobre como evitar uma gravidez: “Na minha cabeça isso não é possível. Não poderia dizer às minhas filhas que não se esquecessem de tomar a pílula, por exemplo”.
Enquanto alertava os filhos para terem cuidado, Joanisa confiava no imenso leque de informações sobre o assunto que eles teriam na escola e presenteou os filhos com livros a respeito do tema. “Os adolescentes vão procurar informações, por curiosidade, fora da escola e de casa. Mas se os pais puderem acrescentar cada vez mais detalhes, conforme percebem que o filho já tem a maturidade necessária para entender, mais fácil será evitar dilemas no futuro”, afirma Caio.
De acordo com Kátia Teixeira, psicóloga especialista em adolescência da Clínica EDAC (Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico), de São Paulo, ao mesmo tempo em que a sexualidade está exposta abertamente, muitos pais acreditam que falar abertamente sobre o assunto dá aos filhos uma sensação de liberdade para fazer o que quiserem. É uma falsa impressão. “Os pais precisam entender que evitar falar sobre sexo não significa que os filhos não terão contato com o tema”, diz. Conversar a respeito, por outro lado, possibilita ao jovem uma tomada de decisão mais consciente.
Os pais devem enfatizar a necessidade do uso de preservativos sempre: “É preciso informá-los que não é porque o adolescente transou três vezes com uma mesma pessoa que não é mais preciso se proteger”, reforça o hebiatra Mauricio.
Drogas: você fumou maconha, filho?
De acordo com o psicólogo Caio, as drogas costumam estar muito mais presentes na vida dos filhos do que os pais imaginam. “É uma ideia equivocada não falar sobre o assunto e acreditar que eles não entram em contato”, diz. “Parece que os adolescentes não veem nada de mal nisso, tanto como em usar maconha como usar outras drogas que entram no circuito deles”, reforça Mauricio.
A maconha costuma ser a primeira droga ilícita a surgir na vida de um adolescente e, segundo estudo norte-americano, quanto mais cedo for usada, maiores as chances dos jovens terem as funções cerebrais danificadas. Os pais, portanto, devem estar sempre atentos ao comportamento que o filho apresenta. “Eles precisam entender como o filho é, como ele se constituiu. Só assim vão perceber caso as características mudem”, afirma Kátia. Joanisa percebeu quando um de seus filhos estava fumando maconha: “Eu descobri depois de reparar que ele tinha mudado algumas atitudes comuns dele, como a maneira de se vestir”.
De acordo com Kátia, os pais sempre devem falar dos perigos do envolvimento com qualquer tipo de droga. Mas mais essencial é observar a autoestima do filho. “O adolescente está buscando uma identidade e, nessa busca, ele vai encontrar pessoas que lhe atraem de alguma forma, com drogas ou não”. Portanto, ele precisa ter sempre o suporte da família para estar seguro de si.
O que você bebeu na festa?
De acordo com pesquisa realizada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), três em cada dez adolescentes consumiram álcool pela primeira vez dentro de casa. De acordo com Caio Feijó, pais devem também dar a devida importância para o contato dos filhos com as bebidas. Mariângela encontrou uma abordagem efetiva com o filho João: “Eu falo sobre o que a mulher pode achar de homens que bebem e, quando eu o busco nas festinhas, ele conta que os meninos que beberam não se deram bem com as meninas”.
Chega de computador por hoje
A chamada “Geração Z” costuma ter muito mais intimidade com internet, redes sociais e celulares do que os pais. Sobra aos pais duas atitudes: além de se atualizarem sobre o tema, para entender o filho, eles devem impor limites. “Muitos adolescentes estudam de manhã e não aproveitam o tempo durante a tarde, pois passam horas na frente do computador”, exemplifica Kátia.
Mas nada em exagero faz bem para a saúde e o computador também entra nesse time. “O adolescente terá um preço a pagar se ficar abusando do tempo na internet, por exemplo”, diz o hebiatra Mauricio. Problemas na coluna ou péssimas notas na escola por passar a madrugada mandando mensagens de texto pelo celular para a namorada são algumas das consequências. “Vale estipular quanto tempo seu filho pode passar no computador ou bloquear a possibilidade dele passar a tarde toda em jogos virtuais”, completa.
Como foi a escola?
O segredo é encontrar uma forma de estar presente nesta área da vida do filho, sem invadi-lo. “O principal a fazer é acompanhar o dia a dia deles”, diz Mauricio. Isso inclui acompanhar as atividades escolares e o comportamento dos filhos dentro da escola. “Hoje pai e mãe trabalham fora e, quando chegam em casa tarde da noite, não querem dar bronca no filho por nada que ele tenha feito. Mas desta forma ele fica perdido e quando chega o fim do ano, ele tem um monte de recuperações”, afirma o médico.
A maior preocupação da gerente de contas Isabela Kauffmann, de 42 anos, são os estudos do filho Lucas, de 17. Ele sempre foi um jovem muito sociável e tranquilo, mas repetiu o 2º colegial no ano passado. A maior dificuldade da mãe atualmente é fazê-lo entender o tempo que ele está perdendo por não se comprometer o bastante com os estudos. “Escuto dos professores que ele simplesmente não presta atenção”, diz a mãe.
Segundo ela, colocar o adolescente de castigo hoje em dia não adianta. Por isso, ela prefere fazer o filho entender, na pele, as consequências dos seus atos. “Eu ia dar uma viagem de intercâmbio para ele se passasse de ano. Não passou, então ficou sem”, explica ela.
O que você quer ser quando crescer?
Enquanto o filho ainda está decidindo para o que vai prestar, os pais devem manter uma certa distância. “Senão, eles podem influenciar o filho a fazer uma escolha errada”, diz Mauricio. Para Katia, existem vários fatores que podem influenciar e até motivar um adolescente – como seguir realmente a profissão do pai –, mas por ele ainda estar em busca de uma identidade, os pais devem dar chances para que ele se encontre: “Ele pode ficar muito perdido, então os pais podem dar direcionamentos com base nas matérias escolares que ele mais gosta, por exemplo, mas nunca pressioná-los”
A falta de atenção típica da fase pode ser causada por fatores biológicos. Mas especialistas afirmam que esta não é a única razão
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Adolescentes nem sempre são capazes de se concentrar: condição neurológica e preguiça se confundem
A cena é comum: você abre a porta de casa e seu filho adolescente, que deveria estudar para a prova de geografia, deixou os livros em cima da mesa e foi brincar com o irmãozinho ou zapear entre os canais de televisão. Você o chama de relaxado, o lembra de que é mais importante e invariavelmente ele diz que não consegue se concentrar. Você pode até achá-lo irresponsável, mas uma recente pesquisa britânica revela que, dependendo do caso, a neurobiologia também pode explicar o problema.
Realizado pelo Instituto de Neurociência Cognitiva da University College London (UCL), da Universidade de Londres, na Inglaterra, o estudo publicado no Jornal da Sociedade de Neurociência indicou que o cérebro dos adolescentes está estruturalmente mais parecido ao das crianças do que ao dos adultos. “Não é sempre fácil para os adolescentes prestarem atenção às aulas, por exemplo, sem deixarem a mente divagar. Mas isso não acontece por culpa deles”, afirmou o Dr. Iroise Dumontheil, um dos autores da pesquisa, ao site do jornal britânico The Guardian.
Juntamente à equipe de pesquisa, ele monitorou, por meio da ressonância magnética, as atividades cerebrais de um grupo de adolescentes enquanto tentavam resolver um problema matemático. No entanto, a região do cérebro chamada de córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões e também pela realização de diferentes tarefas ao mesmo tempo, entre outros encargos, apresentava um nível inesperado de atividades, indicando que o cérebro estava sendo menos eficaz que o de um adulto e atuando de maneira caótica.
Ainda de acordo com o The Guardian, a Dr. Sarah-Jayne Blakemore, líder do estudo, afirmou que a grande quantidade de substância cinzenta – corpos celulares que carregam mensagens dentro do cérebro – é a principal razão para tal movimentação no cérebro. À medida que envelhecemos, esta quantidade diminui. Mas para a psicóloga Carolina Nikaedo, especialista em adolescentes da Clínica EDAC - Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico, em São Paulo, são vários os fatores que devem ser considerados para justificar a falta de atenção.
Tudo ao mesmo tempo
Segundo a especialista, a região frontal do cérebro também tem uma participação muito ativa no que é chamado de capacidade de controle inibitório, que nos ajuda a focar a atenção numa palestra ou numa aula, por exemplo, e inibir outros estímulos, como pessoas conversando ou o barulho de um ventilador. “Por ser esta uma região que se desenvolve por um grande período após o nascimento, não é que a criança ou o adolescente não preste atenção em nada, mas sim pode estar prestando atenção em tudo ao mesmo tempo”, explica.
Esta habilidade – ou a falta dela – explica também o envolvimento emocional que possuímos com uma determinada atividade, independentemente de sermos adolescentes ou adultos. “Se jogar videogame gera mais prazer a um indivíduo, ele estará liberando as substâncias desta sensação, que facilita o funcionamento da região do córtex pré-frontal do cérebro e consequentemente a inibição de outros estímulos”, revela. Portanto, se os estudos não atraem tanto o adolescente, será comum deixar os livros sempre para depois.
Mas de acordo com Geraldo Possendoro, psiquiatra, psicoterapeuta e mestre em Neurociências e Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP), é preciso lembrar que o processo de desenvolvimento da atenção é muito mais complexo do que imaginamos. E os aspectos neurobiológicos inclusos neste processo ainda não são inteiramente conhecidos: “até então não há certeza absoluta sobre as estruturas cerebrais de um adolescente, se já estão maduras e se as atividades já estão sendo realizadas de forma completamente adequada”.
Na opinião do especialista, embora a estrutura que torna alguém capaz de prestar atenção ainda não esteja completamente desenvolvida, na adolescência ela está prestes a chegar ao fim. Mas há variações neste desenvolvimento: “as pessoas possuem ritmos diferentes, então algumas amadurecem este mecanismo mais cedo, outras mais tarde”. Mas segundo ele, também há uma terceira justificativa para a falta de atenção que não corresponde ao processo atencional ou à irresponsabilidade: o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Transtorno ou preguiça?
Nas pessoas com TDAH, a liberação de neurotransmissores relacionados à atenção é desregulada. Isso dificulta, entre outros aspectos, a concentração. Segundo Possendoro, a primeira suspeita acerca de uma criança com TDAH costuma ser feita na escola, onde os professores observam o comportamento dos alunos diariamente. “Mas 60% destas crianças acabam melhorando espontaneamente quando chegam à adolescência”, revela ele, que ainda afirma que, para diagnosticar o transtorno, muitos critérios devem ser analisados.
No entanto, Nikaedo lembra que os pais devem ficar atentos à irresponsabilidade e à preguiça dos adolescentes. “Este tipo de informação sobre as questões de neurodesenvolvimento se tornou acessível, então eles podem acabar colocando a culpa no cérebro, como se não tivessem controle”, explica a especialista. É preciso estar atento para não deixar que tal desculpa explique o problema sem que seja propriamente avaliada, mas também não deve ser ignorada como se o TDAH fosse apenas uma moda da modernidade.
Tecnologia 24 horas
Toda a tecnologia envolvida na vida atual traz um constante incentivo para que os adolescentes tenham sua atenção dividida, e não concentrada. Mas culpar somente a tecnologia não é a solução. “Se o meio exige do cérebro cada vez mais uma atenção dividida, com a televisão, o rádio, a internet 24 horas, as crianças se predispõem a isso desde cedo”, avalia Possendoro.
Para Nikaedo, a tecnologia pode colaborar para o desenvolvimento da criança, mas as escolas precisam saber como utilizá-la. “Um adolescente que tem tudo dentro de casa pode acabar se entediando quando chega à sala de aula e senta numa cadeira dura para ficar prestando atenção somente ao professor”, completa a especialista.
A solução, para Possendoro, é que as escolas passem a estimular a atenção focada, a capacidade de concentração das crianças. E em casa isso também pode acontecer: “é preciso proporcionar momentos cotidianos para que elas se foquem, seja conversando com os pais ou lendo um livro ao invés de estarem com milhares de janelas abertas na internet, falando com os amigos no MSN e assistindo TV ao mesmo tempo”.
Outra possibilidade é dividir o tempo de estudo em períodos menores também pode colaborar para o maior desempenho. “Se você sentar e estudar por cinco horas seguidas, por exemplo, provavelmente três horas serão improdutivas”, diz Nikaedo. Então ela indica que a presença de intervalos a cada 45 minutos, por exemplo, pode tornar este período mais produtivo quando o cérebro ganha momentos de descanso.
Os exercícios de postura e respiração aprimoram a coordenação e acalmam crianças hiperativas, ajudando a controlar a ansiedade
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Criança pratica ioga: programa deve ser adaptado à idade
Se nos adultos os principais efeitos da prática da ioga estão ligado não só à parte física, como o condicionamento, mas também à interação entre corpo e mente, como o autoconhecimento e o relaxamento, nas crianças não poderia ser diferente. “A ioga desenvolve na criança a autoconfiança, favorecendo a tranquilidade física e mental. Isso se manifesta na concentração, por exemplo, aumentando o desempenho escolar. Em época de provas, algumas crianças usam as respirações ensinadas nas aulas de ioga para controlar o nervosismo”, conta a professora especializada em Ioga para crianças Danuza Simonetti, da escolha Shanti Shala, em São Paulo.
Ao lado da professora Thais Faleiros, Danuza tem desenvolvido projetos de ioga infantil para escolas. Um dos métodos utilizados pela dupla foi comprovado pela francesa Micheline Flak, presidente e fundadora do centro de estudos Research on Yoga in Education (RYE). “Micheline descobriu que exercícios de sequência respiratória e posturas reduzem o estresse na sala de aula e aumentam a concentração”, diz Thais. “Além disso, o método de Micheline utiliza técnicas de ioga para ensinar disciplinas como inglês, matemática e história, relaxando os alunos e contribuindo para organizar o processo de aprendizagem”, completa Danuza.
Na prática
Crianças a partir dos 4 anos já podem praticar Ioga. Segundo as especialistas, é preciso aplicar uma metodologia específica para cada idade, senão os exercícios se tornam apenas recreação. “Os menores não aguentam ficar muito tempo em uma única postura, por isso os instrutores devem incentivar, motivar e preparar uma aula dinâmica para que os benefícios sejam experimentados”, ilustra Thais. As aulas devem apostar no lado lúdico, misturando ao “inspira-expira-estica-volta” elementos como brincadeiras, músicas, atividades artísticas e contação de histórias.
“Os maiores, de 9 a 10 anos, adoram desafios. Então introduzimos jogos de grupos e posturas de equilíbrio mais desafiadoras”, fala Thais. A instrutora realizou no ano passado um projeto com uma turma de meninos de 5 anos. Com os bons resultados, algumas mães a chamaram para oferecer aulas como personal trainers. “A ioga infantil ajuda crianças hiperativas a desenvolverem controle e percepção de sua condição acelerada”, acrescenta Danuza.
Resultados
Além de todos os ganhos com concentração, a ioga também injeta saúde na vida dos pequenos e os apresenta a um estilo de vida saudável logo nos primeiros anos de vida. “A prática melhora a saúde de forma geral e estimula o funcionamento do sistema imunológico”, explica Danuza. Os movimentos e posturas milenares – que nasceram na Índia e são praticados na Europa desde o século passado, inclusive para os pequeninos – massageiam os órgãos internos e estimulando os processos digestivos, o que combate prisão de ventre, má digestão e normaliza a absorção dos nutrientes provenientes dos alimentos.
Até a visão pode ser melhorada com a prática da ioga. Os trátákas – exercícios de visão e foco – contribuem para a manutenção de uma visão saudável. A respiração nasal, correta e ritmada, cria reflexos nos centros neurológicos e no humor, o que induz também o pequeno praticante a cultivar uma autoimagem positiva e equilibrada.
“Ao lado de todos estes aspectos positivos, na minha experiência percebi como as crianças levam o conhecimento para casa e se tornam ‘professores’ dos pais, o que leva a outra vertente dos benefícios: os que se encontram no âmbito familiar e social”, diz Danuza.
Especialistas esclarecem as principais dúvidas sobre bebês que nascem antes do previsto
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Prematuros precisam de cuidados médicos especiais e estão mais vulneráveis a doenças
Prematuros são bebês mais frágeis já que nascem antes do previsto e, algumas vezes, sem terem alcançado o desenvolvimento ideal dos órgãos. Existem muitas dúvidas que cercam essas crianças: todas precisam ficar mais de um mês no hospital? Podem ser seguradas pelas mães? Podem ser amamentadas no peito?
A evolução da medicina é capaz de confortar, mas não de acabar com todos os medos dos pais.
Todo prematuro é igual
Mito. Existem prematuros tardios e extremamente prematuros (que nascem com menos de 32 semanas). Segundo Victor Nudelman, neonatologista do hospital Albert Einstein, é possível cuidar de bebês a partir de 25 semanas, com peso próximo a 500 gramas. “A ansiedade da mãe de um bebê assim é diferente da mãe de um bebê de 34 semanas. Dependendo do grau de imaturidade, os bebês terão tempos e dificuldades completamente diferentes”, diz.
Bebês de 35 semanas são prematuros
Verdade. “Crianças que nascem antes de 37/38 semanas, por definição, são prematuros”, afirma a pediatra Heloisa Ionemoto, do Hospital Infantil Sabará.
A mãe não pode segurar o bebê prematuro
Mito. Segundo os médicos, as mães devem segurá-lo no colo, desde que com cuidado e sempre orientada pela equipe médica, como ressalta Jorge Huberman, neonatologista do Hospital Albert Einstein. A pediatra Heloisa lembra que há programas como o “Projeto Canguru”, no qual o contato físico entre pai/mãe e bebê prematuro ajuda no desenvolvimento. Mas vale lembrar que a incubadora é importante para manter o pequeno sempre aquecido.
O prematuro precisa passar mais de um mês no hospital
Depende. O risco de mortalidade e doenças específicas está inversamente relacionado à idade gestacional. “Quanto menor a idade gestacional, maior a chance de complicações. Os prematuros com mais de 34 semanas, de um modo geral, se saem muito bem, já os menores enfrentam mais dificuldades. Desta forma, estes bebês precisam de cuidados especiais que podem durar poucos dias a alguns meses, com necessidade de internação hospitalar”, esclarece Maria Otília Bianchi, neonatologista da UNICAMP.
Os órgãos do prematuro não estão prontos
Verdade. Principalmente os pulmões, uma vez que ele fazia a troca de ar por meio da placenta. Por isso é muito comum ele apresentar dificuldades respiratórias, o que requer ajuda para assegurar os níveis adequados de oxigênio. Nudelman alerta para a necessidade de aparelhos que forneçam alguma pressão positiva para o ar entrar e medicações que mantenham o pulmão, ainda imaturo, mais aberto.
O prematuro não pode ser amamentado
Mito. Ele deve ser amamentado, porém não consegue sugar, por isso, a alimentação pode ocorrer por meio de sondas. De acordo com Maria Otília, o ideal é alimentar o bebê com leite materno ordenhado, mas pode ser necessário o uso de nutrição endovenosa. “Mesmos os prematuros maiores são sonolentos, sugam vagarosamente e não ganham peso”, explica.
Quanto menos aparelhos ligados no bebê, melhor ele está
Verdade. Isso significa que o corpo já consegue se manter aquecido sem a necessidade da incubadora, os pulmões estão suficientemente desenvolvidos para garantir o ar necessário, ele já consegue sugar e se alimentar sem ajuda de sondas.
Prematuros terão problemas para o resto da vida
Mito, embora prematuros extremos tenham mais chances de apresentar alguma complicação. “Casos graves, como falta de oxigênio ao nascer, por exemplo, podem deixar sequelas e por isso precisarão de acompanhamento prolongado”, aconselha Heloisa.
O prematuro não pode fazer todos os exames
Mito. Huberman afirma que o acompanhamento clínico e laboratorial, além de exames de imagem para verificar o crescimento e desenvolvimento do bebê são primordiais. A prevenção de doenças acontece graças à extensa bateria de exames.
Ele é mais vulnerável a doenças
Verdade. Principalmente as respiratórias.
As vacinas do prematuro são as mesmas do calendário nacional de vacinação
Verdade. “Mas o pediatra pode orientar de forma diferente, caso haja necessidade”, cita Huberman.
É impossível evitar a prematuridade
Mito. “Com um pré-natal precoce e muito bem feito, é possível detectar os indícios da prematuridade”, diz Huberman. As causas mais comuns do parto prematuro são hipertensão arterial, ruptura precoce das membranas amnióticas e infecções.
O desenvolvimento neurológico do bebê prematuro é diferente
Verdade. “Os prematuros ganham um descontinho, visto que consideramos a data provável para 40 semanas para avaliar as novas conquistas. Por exemplo, um bebê que nasce de 31 semanas ao completar quatro meses deve fazer o mesmo que um bebê não prematuro que completou dois meses”, conta Maria Otília. Porém, este “desconto” acaba quando se completa dois anos. A mesma regra é utilizada para peso e estatura, o que significa que ele tem um tempo a mais para buscar o que perdeu por nascer antes.
Os cuidados médicos devem ser diferenciados
Verdade. Heloisa aponta para a necessidade de assistência médica diferenciada e equipe multidisciplinar, principalmente para os nascidos com menos de 30 semanas. “No futuro, o pediatra poderá indicar outros profissionais, como fisioterapeutas e fonoaudiólogos, se necessário”, acrescenta Huberman.
O bebê prematuro precisa viver numa redoma de vidro
Mito. Após os cuidados extremos no hospital – e o ganho de peso e maturidade necessários para ir para a casa – os médicos sugerem que a família leve vida normal, sempre que possível: passeios, aleitamento materno exclusivo, contato com o mundo exterior, inclusive com outras crianças. “Manter as vacinas em dia, alimentação saudável e evitar o contato com pessoas doentes bastam”, diz Maria Otília.
Idade mínima para aparecimento de cravos e espinhas passou de 12 para sete anos, de acordo com nova diretriz médica nos EUA
NYT/The New York Times
Médica sugere que mudança de mentalidade talvez esteja estimulando aplicação de tratamentos mais intensos em idades cada vez mais precoces
Se seu filho de 10 anos tem acne, saiba que ele não é o único e nem o mais novo a apresentar cravos e espinhas. De acordo com novas diretrizes de tratamento publicadas no periódico americano Pediatrics, a idade mínima para o aparecimento de acne passou de 12 para sete anos.
Com o início prematuro da adrenarca (maturação funcional da glândula adrenal) e da menarca (primeira menstruação), os autores das diretrizes sugerem que "parece estar ocorrendo uma diminuição da idade de aparecimento da acne".
"Eu certamente verifiquei uma mudança", afirma Latanya T. Benjamin, dermatologista do Hospital Infantil Lucile Packard, em Stanford, que não contribuiu na elaboração das diretrizes. "Não é incomum aparecerem crianças de sete ou nove anos apresentando os primeiros sinais de acne", declara.
Mas esse possível início precoce da puberdade em crianças vem sendo assunto de discussão científica. A causa mais provável do aumento dos casos de acne, afirmam os especialistas, é o aumento da intolerância dos pais que buscam tratamento mesmo que a condição não incomode as crianças e a maior disposição dos médicos em fornecer tratamentos eficazes contra a acne infantil. Apesar de amplamente receitados, os medicamentos não são aprovados para uso em crianças e apenas alguns foram testados em garotos tão jovens.
Mudança de mentalidade
De acordo com um estudo publicado em 2011 no periódico Pediatric Dermatology, que avaliou cerca de 93 milhões de consultas médicas relacionadas com acne de meninos e meninas de seis a 18 anos, a idade média dos pacientes em busca de um tratamento para a acne diminuiu ligeiramente de 1979 a 2007, passando de 15,8 para 15 anos. A porcentagem de consultas relacionadas à acne de crianças de seis a oito anos aumentou de zero para 1,5%.
Especialista em dermatologia pediátrica, Anne W. Lucky ressalta que mais crianças de 12 anos afirmam que sua acne iniciou "dois ou três anos antes" quando visitam seu consultório, em Cincinnati. Os pacientes que chegam encaminhados pelos pediatras agora são mais novos, afirma a médica.
Mas Lucky não está convencida de que mais pré-adolescentes têm acne atualmente. Um estudo realizado pela médica em 1994 descobriu que entre 365 garotas com nove e 10 anos, 78% tinham acne.
Para complicar a questão, dermatologistas e pediatras relatam que, muitas vezes, os pais estão mais interessados do que as crianças na busca de um tratamento. "Alguns pais são perfeccionistas", afirmou Benjamin, que foi consultor da Ortho Dermatologics, fabricante de medicamentos dermatológicos. Mas a maioria simplesmente "não quer que os filhos fiquem aborrecidos, sejam importunados ou sofram bullying na escola por causa da acne." Posição que não parece ser compartilhada com todos os pacientes. Muitos, segundo Benjamin, não estão "focados no aspecto da acne" e quando eles têm sete ou oito anos, dizem: "posso ir jogar videogame?".Ela sugere que uma mudança de mentalidade talvez esteja estimulando a aplicação de tratamentos mais intensos em idades cada vez mais precoces. "Há 20 anos, os pediatras diziam: 'você vai ficar livre delas quando crescer', mas o pensamento de hoje é 'por que esperar até que o paciente cresça se é possível tratar mais cedo?'", afirma Lucky, que tem trabalhado como consultora para a Galderma, marca de produtos dermatológicos.
Lisa M. Asta, pediatra de Walnut Creek, na Califórnia, costuma determinar primeiro quem está incomodado com a acne. "Meu preceito geral: o cuidado rotineiro com a pele é suficiente se a acne não vai deixar cicatriz e o pré-adolescente ou adolescente precoce não está incomodado com a condição", afirmou. Caso a prescrição seja necessária, Asta também considera seu valor. "Minha avaliação consiste em encontrar o ponto ideal, um tratamento que a criança aceite, que funcione e seja acessível."
Irritada
Entretanto, alguns realmente querem tratar sua acne. Aos 11 anos, Salma El-Badry não gostou da mudança de seu corpo em desenvolvimento. "Ela ficava irritada se tivesse uma festa e precisasse esconder a espinha", afirmou a mãe, Nahla Hedayet. "Nessa idade, isso é um grande drama."
Elas resolveram consultar a pediatra de Salma, que prescreveu de início peróxido de benzoíla e depois ácido retinoico. Seu rosto ficou livre da acne. Agora, porém, Salma tem 12 anos e pratica natação e afirmou que "a pele ficou bastante irritada e dói muito."
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Maioria dos medicamentos contra acne é prescrita sem a aprovação de seu uso para menores de 12 anos
Medicamentos
Uma acne precoce significativa pode indicar lesões mais graves no futuro. "Se seu filho de nove anos tem acne de grau moderado, a probabilidade de ele vir a ter acne severa é muito alta", afirmou Lawrence Eichenfield, chefe de dermatologia pediátrica e de adolescentes do Hospital Infantil Rady, de San Diego, e presidente das novas diretrizes de tratamento. Os autores estiveram reunidos na Sociedade Americana de Acne e Rosácea. Entre os patrocinadores estavam empresas farmacêuticas como Galderma e Valeant, mas elas não influenciaram na elaboração das diretrizes.
Ao reconhecer a acne em idade precoce, os médicos "podem minimizar as cicatrizes físicas e o impacto emocional da acne", afirma Eichenfield, que tem sido consultor da Galderma e da Medicis.
A maioria dos medicamentos contra acne é prescrita sem a aprovação de seu uso para a faixa etária, o que significa que os testes clínicos foram realizados em pacientes com mais de 12 anos. A exceção é um gel, que contém uma substância retinoide e peróxido de benzoíla, aprovado em fevereiro pela FDA (Food and Drug Administration) para o uso em crianças com idade mínima de nove anos.
Sem tratamento, a acne severa pode deixar cicatrizes permanentes, e causar hiperpigmentação (manchas escuras) na pele, que pode incomodar uma criança mais do que as espinhas. "Elas se preocupam com os pontos marrons", afirmou Lucky. "Estamos falando de meninos e meninas de sete, oito e nove anos que têm aparência diferente das outras crianças."
1 litro de óleo (ou mais, se necessário, para fritar)
MODO DE PREPARO
Coloque numa tigela o arroz, os ovos, a farinha de rosca, o queijo, o fermento, a salsinha e a cebolinha. Tempere com o sal e a pimenta-do-reino. Misture bem. Numa frigideira funda, aqueça o óleo e doure os bolinhos, que devem ser moldados na mão, um a um.
Retire com escumadeira, escorra bem e sirva em seguida.