domingo, 18 de março de 2012

Excesso de trabalho é o principal fator de estresse para mulheres

Além da responsabilidade pela múltipla jornada, elas acreditam que precisam produzir mais para provar competência, diz pesquisa

Foto: Getty Images Ampliar
A mulher quer dar conta de tudo e se cobra em excesso. Resultado: estresse

Cada vez mais as mulheres ganham espaço no mundo corporativo, acumulando inúmeras responsabilidades, independente do cargo que ocupam. Além disso, têm que dar conta da vida doméstica, o que envolve cuidados com a família, administração do lar, entre outras tarefas.

Segundo pesquisa da ISMA-BR (International Stress Management Association), apresentada no XIII World Congress of Psychiatry, no Cairo (Egito), o problema se agravaria pelo fato de que as mulheres também se cobram muito. “Como ainda existem diferenças entre os sexos no mercado de trabalho, elas acreditam que precisam produzir mais para provar que são competentes, além de cumprirem uma múltipla jornada diária”, explica Ana Maria Rossi, presidente da ISMA-BR.

“A mulher tem o perfil de ‘cuidadora’, quer sempre zelar pelo outro. E seu comprometimento com as funções que lhe são delegadas, especialmente na área profissional, geralmente é maior do que o do homem”, observa o psicólogo Luiz Gonzaga Leite, chefe do Departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula, de São Paulo. Tudo isso aumenta a demanda de energia física e emocional.

Para os homens, a incerteza de continuar ou não na empresa e suas chances de crescer profissionalmente são os fatores que mais preocupam – os números apontam que 91% deles sofrem com isso. Entre as mulheres, essa é a segunda causa que mais gera estresse e que acomete 83% delas.

De acordo com a pesquisa da ISMA-BR, a falta de reconhecimento é outro fator que aumenta o estresse feminino. “Se a mulher que tem diversidade de papéis se sente satisfeita, ela tende a ter uma maior qualidade de vida”, afirma Ana Maria. “Se não for reconhecida, tem 60% mais chance de ficar doente”, considera.

Outra pesquisa mostra que o quadro se agrava porque as mulheres nem sempre conseguem estabelecer prioridades entre suas obrigações, o que acaba gerando frustração e prejudicando a saúde. “Para aliviar o estresse é preciso promover um gerenciamento da vida, definir metas, bem como terceirizar algumas tarefas. Existem mulheres que na ânsia de dar conta de tudo não se permitem nem mesmo ter uma faxineira para ajudar na limpeza da casa”, diz o psicólogo Luiz Gonzaga Leite.

Melhor administração

As mulheres são potencialmente mais estressadas, no entanto, pelo comportamento que adotam no dia a dia lidam melhor com ele do que os homens. Segundo a pesquisa da ISMA-BR, por isso elas vivem mais (cerca de oito anos mais do que os homens) e melhor.

Algumas dessas razões seriam: maior facilidade para verbalizar suas emoções; maior conscientização das suas condições físicas e emocionais, buscando ajuda nos primeiros sinais do sintoma; maior disciplina na prática regular de técnicas de relaxamento; e cultivo de uma crença religiosa, demonstrando mais fé.

“Elas expõem mais suas emoções, demonstram seus sentimentos, choram. Por essas ‘facilidades’ que a sociedade permite às mulheres, há um enfrentamento melhor do estresse”, acredita Gonzaga Leite.

O especialista diz que algumas ações simples também ajudam a administrar a tensão e a correria do dia a dia. Entre elas estão: prática regular de atividade física; alimentação balanceada; e estabelecimento de prioridades.

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