sexta-feira, 27 de abril de 2012

Em artigo científico especialistas dizem que estas substâncias poderiam produzir efeitos biológicos capazes de gerar a doença

Pesquisadores americanos advertiram que a ação dos suplementos antioxidantes na prevenção ao câncer não foi comprovada cientificamente, afirmando, inclusive, que seu consumo poderia ser contraproducente.
Segundo uma equipe de cinco cientistas liderada por María Elena Martínez, da Universidade de San Diego (Califórnia, EUA.), os supostos benefícios anticancerígenos de suplementos como o betacaroteno ou das vitaminas C e E são "em sua maioria um mito".
Em um artigo publicado nesta quinta-feira na revista britânica "Journal of the National Câncer Institute", os especialistas assinalam que estas substâncias poderiam produzir efeitos biológicos capazes de gerar um câncer.
O consumo de antioxidantes se generalizou desde que os mesmos se popularizaram como alimentos capazes de retardar o envelhecimento e prevenir doenças como o câncer, já que poderiam ter um papel importante no processo de oxidação das células.
No entanto, segundo Martínez, as pessoas estão sendo "enganadas pelas mensagens dos fabricantes de suplementos", que sublinham os benefícios de seus produtos para a saúde, principalmente a prevenção do câncer.
"A suposição de que qualquer suplemento dietético é seguro sob qualquer circunstância e em qualquer quantidade não são sustentadas cientificamente", ressaltou Martínez.
Nos últimos anos, inúmeros estudos feitos em animais apoiaram a teoria de que estes suplementos poderiam reduzir o risco do desenvolvimento de um câncer, mas suas conclusões ainda não foram confirmadas em testes aleatórios, a "prova de ouro" na medicina, argumentou Martínez.
Só um pequeno número de suplementos foi submetido a este tipo de prova, sendo que alguns estudos científicos concluíram que, de fato, o risco de se desenvolver um câncer aumentou após o consumo desses antioxidantes.
"A ingestão de antioxidantes exógenos pode ser uma faca de dois gumes. Na verdade, estes componentes poderiam gerar um efeito contrário (pró-oxidante) e interferir em alguns processos protetores do organismo, como a indução de apoptose", afirmaram os pesquisadores no artigo.
A apoptose, conhecida como morte celular programada, é um processo em que as células problemáticas provocam sua própria morte.
Diversos estudos experimentais demonstraram que os diferentes tecidos do organismo respondem de maneira diferente a cada um dos nutrientes e, por isso, "um antioxidante associado à prevenção do câncer poderia causar um dano em outros", conclui o artigo

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