terça-feira, 24 de abril de 2012


Veja nossas dicas para ter bons modos e ajude o sistema a funcionar bem

Foto: Ligia Helena Fazer as unhas no metrô é deselegante
Não é novidade para ninguém que os sistemas de transporte público das maiores cidades do Brasil estão cada vez mais cheios. Só no metrô de São Paulo, a quantidade de passageiros saltou de 2,7 milhões em 2007 para 3,9 milhões em 2012. Com tanta gente, é difícil que a convivência seja tranqüila o tempo todo.
“Pressa, anonimato e estresse fazem parte da vida urbana. Convivemos com isso. O metrô não é um paraíso ou uma ilha de felicidade”, diz Cecília Guedes, chefe do departamento de relacionamento com o cliente do Metrô.
Qualquer um que utilize transporte público, seja metrô, ônibus ou trem, sabe muito bem o que é conviver com usuários mal educados. Às vezes as cenas beiram o irreal e chegam a ser engraçadas, de tão inadequadas ao local.
Com 14 anos de experiência se locomovendo por transporte público, a relações-públicas Tereza Christina Barbosa, 26 anos, criou o blog Cenas de Busão, com a amiga Isis Coelho. “Tem histórias de todos os tipos, mas a maioria é de pessoas mal educadas”, conta.
Ela lembra de um passageiro ligeiramente alcoolizado que cuspiu no chão, ao lado dela, três vezes. “Você pensa que todo mundo sabe que não se cospe no chão do ônibus como se fosse na rua. Mas pelo jeito não, né? As pessoas não tem noção de normas sociais. Elas se esquecem que precisam compartilhar o espaço com gente que não vive do mesmo jeito que elas”, afirma. “E aqueles que comem salgadinhos e embolam o pacote num canto do ônibus? Quantas vezes eu não vi a baratinha passando feliz e alimentada ali... Óbvio que vem bicho.”Saber se comportar nos transportes públicos devia ser questão de bom senso. Como nem sempre é, especialistas dão dicas. Veja como se comportar ou como pedir modos para o vizinho de banco que finge que está dormindo para não ceder o assento prioritário a uma grávida ou que está cortando as unhas no meio da lotação.
Volumes
Sacola de compras numa mão e mochila nas costas? Carregue na mão, perto do corpo, e tente sair de perto das portas. “É algo pequeno, mas que faz diferença no horário de pico”, diz Tereza.
Som na caixa
Música no transporte público, só se for no fone de ouvido. É totalmente errado forçar os outros a compartilharem do seu gosto musical. “Houve um aumento expressivo do uso de aparelhos sonoros e das consequentes reclamações sobre eles no metrô”, comenta Cecília. “A próxima campanha, prevista para esse ano, vai focar neles como um dos temas principais.” Em locais fechados, é educado manter um tom de voz moderado. “Falar alto no telefone ou com outra pessoa é péssimo”, afirma Tereza.
Se seus ouvidos forem vítimas da seleção musical dos companheiros de viagem, para evitar conflitos, é melhor apelar à instâncias superiores. “A pessoa que está ouvindo rádio pode achar que o passageiro do lado não tem autoridade para criticar. O usuário precisa cobrar do sistema de transporte que coíba o abuso”, sugere Ivna Muniz.
Mantenha distância
“Muita mulher é bolinada no ônibus. A gente sente e sabe quando tem má intenção”, conta Tereza. Para evitar esse constrangimento, a tática é usar o cotovelo ou a bolsa para criar um espaço entre o próprio corpo e de quem está encostando. Além, claro, de nunca dar as costas para um homem. “Se você é homem, tente dar um espaço.”
Embarque rápido
“No embarque e desembarque, não segure as portas do trem porque atrasa a circulação”, alerta Cecília. Sempre que um usuário segura portas no metrô, atrasa o sistema todo e causa transtorno a todos os outros passageiros.
Para acelerar o embarque e o desembarque, evite ficar parado em locais de passagem. Deixe o lado esquerdo das escadas rolantes livre. Não fique parado na porta se estiver longe da estação ou do ponto em que você vai descer. O ideal é aproximar-se um ou dois pontos ou estações antes. E, claro, não atropele nem empurre quem está tentando sair.
Boca no trombone
Se presenciar comportamentos que incomodem, use os canais de comunicação com o usuário para reportar o fato às concessionárias da linha, seja no metrô, no trem ou no ônibus. As reclamações dos usuários são um forte indicador do que é prioridade na fiscalização e nas campanhas educativas. “Temos novas ferramentas e tecnologias que tem ajudado, como o 'sms-denúncia'. Começou ano passado e fechamos o ano com 50 mil mensagens por celular, denunciando uso indevido de assento preferencial, gente com pé no banco, fazendo bagunça, vendedor ambulante”, conta Cecília.
Constrangimento educa
Vale chamar a atenção do usuário que esteja sendo mal educado? Sim, desde que seja de forma educada, cortês e discreta. “Falta de educação constrange. Mesmo quem gosta da crítica precisa obedecer as regras. E se a pessoa não for sensível, registre a reclamação”, orienta Ivna Muniz, consultora de etiqueta.
Foto: Thinkstock/Getty Images Música alta é a nova praga no transporte público. Evite
Assentos prioritários É frequente que gestantes, idosos, deficientes físicos e obesos sejam ignorados por outros usuários, que chegam a fingir que estão dormindo para não terem que ceder o lugar. “Se você já cedeu seu lugar e está presenciando essa situação deve interferir”, afirma Ivna. “Vale até acordar quem está ‘dormindo’.”
Não precisava nem dizer, mas está fora de questão questionar a veracidade da gravidez ou da deficiência de quem pede a vaga. Se a pessoa está pedindo, pode ter uma necessidade específica que a torna mais vulnerável, mas que não esteja aparente. Não é nada elegante pedir uma “prova” de que ela precisa mesmo.
Passagem
“Quem não tem bilhete único, deve separar o dinheiro antes, para não ficar um tempão caçando o dinheiro na bolsa ou carteira”, diz Tereza. Além de poupar tempo, isso vai diminuir a irritação dos usuários que estão na fila para comprar passagem ou passar pela catraca.
Lixo
“Jamais jogue lixo pela janela do ônibus”, adverte Tereza. Nem todo coletivo dispõe de lixeiras, mas isso não justifica largar vestígios em local público. Se tiver lixo para descartar, como embalagens vazias, guarde até a próxima lixeira. Também não vale jogar no chão nem esconder pelos cantos.
Gentileza gera gentileza
É preferível ceder a vez a disputá-la a tapas. Da mesma forma, se estiver sentado, é gentil se oferecer para carregar bolsas e livros de quem está de pé ao seu lado. “Oferecer-se para carregar as coisas de quem está de pé do seu lado é uma forma de gentileza. E evita que a bolsa fique encostando na sua cabeça!”, diz Tereza.

“O ‘espertinho’ quer entrar pelo embarque preferencial ou passar por baixo de espaços confinados. As pessoas reclamam muito deles”, diz Cecília. Tentar levar vantagem não compensa, já que o usuário pode ser advertido se desrespeitar as regras. Melhor não correr o risco de passar vergonha, não?

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