sábado, 20 de julho de 2013

Impotência dá alerta sobre infarto futuro

Disfunção erétil pode ser primeiro sinal de que coração está doente


Foto: Getty Images
Disfunção erétil é reversível e pode indicar problemas graves
A dificuldade para ter ou manter uma ereção para uma atividade sexual satisfatória atinge aproximadamente 50% dos homens com mais de 40 anos, em maior ou menor grau, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia.
O problema, um dos três maiores inimigos do homem, não é parte natural do envelhecimento e deve ser investigado.
A disfunção pode ser o alerta inicial de que o coração não está saudável. Quando há acúmulos de placas de gordura nas artérias, elas endurecem e ficam mais finas, limitando a passagem do sangue.
“A artéria que leva sangue ao pênis tem um calibre menor do que as demais. Quando não há circulação adequada, o sangue chega em menor quantidade ao órgão e o paciente apresenta a disfunção”, relata o urologista Carlos Sacomani, do Hospital Samaritano, em São Paulo. O problema aparece de três a quatro anos antes das doenças coronarianas.
De acordo com um estudo conduzido pelo cardiologista alemão Michael Bohm e publicado pela American Heart Association (Associação Americana do Coração), a ereção deficiente pode ser um dos sintomas iniciais da arterosclerose, que pode favorecer o surgimento de outras doenças cardíacas além do infarto.
Foram avaliados 1.519 pacientes de 13 países. O pesquisador identificou que homens com impotência estavam quase duas vezes mais propensos a ter um ataque cardíaco e tinham 20% mais chances de serem hospitalizados por falência renal. Eles também apresentaram um risco 10% maior de acidente vascular cerebral (AVC) em comparação com homens que não apresentavam o problema. Os riscos aumentavam de acordo com a severidade da disfunção apresentada.

Mas a falha na vascularização é apenas uma das causas que levam à impotência. Além dela, os médicos destacam também as questões psicológicas e outras razões orgânicas, como colesterol alto, hipertensão, diabetes, trauma na medula ou a utilização de medicamentos como anti-hipertensivos e antidepressivos. Em geral, nos mais jovens predominam as causas psicológicas. A partir dos 60 anos, 60% das causas são orgânicas e 40% psicológicas, revela Sacomani.As principais causas

“Em geral, o problema tem várias causas. O distúrbio androgênico do envelhecimento masculino, por exemplo, uma queda hormonal inerente à idade que começa a dar sinais a partir dos 40 anos, pode ser um desses sintomas”, diz André Guilherme Cavalcanti, diretor do Centro Integrado de Saúde do Homem, no Rio de Janeiro. Agravado por um quadro de obesidade ou colesterol alto pode ser a combinação perfeita para o aparecimento da disfunção erétil.
O primeiro passo, segundo os médicos, é observar a idade do paciente. Antes dos 40 anos, a maioria costuma ter alterações por problemas psicológicos. Estresse, depressão, receio de não satisfazer a parceira ou ansiedade – todos esses podem ser prejudiciais e afetar o rendimento.
“Uma grande descarga de adrenalina na corrente sanguínea nesse momento pode comprometer o funcionamento correto do órgão”, afirma Sacomani.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, o diagnóstico é clínico, mas é importante realizar exames de dosagem de testosterona, glicose e colesterol.
Tratamentos
É essencial vencer a barreira da timidez e do preconceito e procurar um urologista. A escolha do melhor tratamento passa por uma boa conversa entre médico e paciente e pode ser tão simples quanto adotar novos hábitos de vida ou tomar um comprimido. Exercícios, perda de peso e redução do cigarro são atitudes que podem ajudar, dependendo da causa da impotência.

Se não houver melhora, a medicação (os chamados inibidores de fosfodesterase como oViagra, Levitra e Cialis) é indicada. Outra opção é injetar no pênis uma substância que provoca a ereção.
“Há o desconforto já que é preciso aplicar no início de toda relação sexual”, avalia Sacomani. A última alternativa é a prótese peniana, recomendada apenas para casos em que as demais saídas não funcionaram. A prótese é permanente e pode ter complicações graves como infecções ou rejeições.

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