segunda-feira, 23 de junho de 2014

Para psicóloga, emoção no hino não justifica futebol ruim do Brasil na Copa

Katia Rubio, doutora em psicologia pela USP, afirmou faltar preparo aos jogadores da seleção brasileira para lidar com momento do hino nacional antes das partidas, mas descartou relação com más atuações da equipe no Mundial

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Emoção dos jogadores do Brasil e choro de Julio Cesar no hino nacional da estreia do Brasil na Copa
Uma das grandes discussões após as duas primeiras partidas da seleção brasileira naCopa do Mundo é qual seria a relação da emoção sentida pelos atletas na hora do hino nacional com o futebol fraco apresentado pelo time de Luiz Felipe Scolari até aqui. Para Katia Rubio, doutora em psicologia pela USP (Universidade de São Paulo), nenhuma.
"Na hora que acabou o hino e o apito soa o jogo começa. Não dá para usar o hino como um motivo para o desequilíbrio emocional por ter jogado mal depois. Se o Brasil não está jogando bem como a gente gostaria te garanto que não é por causa do hino", disse Rubio ao iG Esporte.
Assim como ocorreu na Copa das Confederações, o hino nacional vem sendo cantado em coro pelo público presente nos estádios, que continua na capela mesmo após a parada da edição feita pela Fifa. Se em 2013 essa foi uma grande arma brasileira, neste ano os jogadores estão se mostrando mais frágeis emocionalmente. Julio Cesar chorou na partida contra a Croácia. Diante do México foi a vez de Neymar.
"Acho que a emoção faz bem de uma forma geral para o País, que se identifica no hino e na letra e que isso possa reverberar na construção de um país melhor, mas em relação ao jogo não tem relação alguma", reforçou a psicóloga.
No entanto, a especialista concorda que possa estar faltando algum preparo especial aos jogadores. Algo que faça com que eles não se abalem tanto momentos antes do início das partidas.
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No jogo contra o México, foi a vez de Neymar chorar no momento da execução do hino nacional
"O hino antes da competição é um ritual que existe há muito tempo. Da mesma forma que o atleta se prepara no vestiário para colocar o uniforme, ele deveria estar preparado para escutar o hino. Não só em jogando em casa, em qualquer lugar. Preparar para o hino é um treinamento tão necessário quanto preparar para chutar a bola, porque, se acreditam que isso pode interferir no rendimento do atleta, isso tem que ser planejado", afirmou Rubio.
"O que falta é um planejamento para passar pela situação do hino, que todo mundo sabe que é uma situação emocionante. Uma coisa que a gente chama de dessensibilização para a audição do hino. E depois é bola. Querer justificar o mau rendimento por causa da emoção suscitada pelo hino, acho que já é demais", explicou a psicóloga.
Os laterais Marcelo e Daniel Alves falaram, ao longo da última semana, de forma que reforça a tese de Rubio.
"Só quem vive e sente isso pode explicar esse momento. É emocionante. O cara está indo competir, não está fraco porque chora. Falam que homem chora de fraqueza, mas é de emoção do ser humano. Incontrolável, morreu ali. A bola rolou, vamos competir", disse Daniel Alves.
"Quando os torcedores cantam o hino com a gente é uma coisa de outro mundo. Quem está dentro de campo sabe como é. É uma forma de estar mais perto do povo brasileiro. Acho que isso não atrapalha", resumiu Marcelo.
Nesta segunda-feira, novamente com o hino nacional cantado na capela, o Brasil irá enfrentar Camarões para selar sua classificação e o primeiro lugar no grupo A da Copa. A partida será em Brasília, a partir das 17h.

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