segunda-feira, 23 de junho de 2014

Mané Garrincha é o segundo estádio mais caro do mundo


Preço médio pela construção de cada assento do Mané Garrincha é de quase R$ 22 mil
Brasília não conta com times na Série A do Campeonato Brasileiro, tampouco na B, muito menos na C. A história do futebol no Distrito Federal também se resume a poucas linhas. Ainda assim, a capital ganhou, em 18 de maio de 2013, o segundo estádio mais caro já erguido no planeta.
Em meio à região dos hotéis, surgiu o novo Mané Garrincha, nome dado em homenagem ao genial ponta-direita bicampeão mundial, em 1958 e 1962. Mas vale a ressalva: Mané mesmo ficou o povo brasileiro diante dos gastos com o estádio. Levando-se em conta o valor total da arena e o seu número de assentos, pode-se dizer que cada cadeira custou R$ 21.984.
Segundo o último relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) do Distrito Federal, o palco de Brasil x Camarões saiu ao preço de R$ 1,6 bilhão – a primeira previsão era de que seus 72.777 assentos custassem pouco mais de R$ 700 milhões. E a conta ainda não está fechada. Após Mundial, outros R$ 300 milhões serão investidos em obras complementares, entre elas a criação de dois túneis para facilitar o acesso ao Mané Garrincha. Tudo financiado pelos cofres do Distrito Federal, com dinheiro público.
“Dava para construir mais de 150 mil casas populares com esse dinheiro”, avalia o deputado federal Romário. “O estádio ficou lindo? Ficou. Só que não é nem um pouco prático. É sacanagem com o dinheiro do povo. É uma falta de escrúpulo.”
Somente o lendário Estádio de Wembley, reinaugurado em março de 2007, saiu mais caro: R$ 2,53 bilhões. Sede de alguns jogos da Olimpíada de Londres, em 2012, Wembley comporta atualmente 90 mil pessoas.
Emirates Stadium, Maracanã, King Abdullah City, Donbass Arena, Itaquerão… nenhum destes estádios, erguidos recentemente e com muito mais tecnologia, tiveram preço tão salgado quanto o Mané Garrincha — além de tudo, um forte candidato a elefante branco.
Maracutaia - O relatório do TCU aponta que o Mané Garrincha ficou pelo menos R$ 614 milhões mais caro devido à manipulação de preços. A finalidade de outros R$ 412 milhões está sendo investigada.
Os auditores do tribunal se espantaram com os gastos com metal para a construção da arena, que estouraram a previsão em R$ 62,5 milhões. A Andrade Gutierrez também foi indagada em razão do descarte de 12% do aço que usou em Brasília — na Arena Amazônia, foram descartados apenas 5%.
OS ESTÁDIOS MAIS CAROS DO MUNDO:
1º Wembley (Inglaterra): R$ 2,5 bilhões
2º Mané Garrincha: R$ 1,6 bilhão*
3º Emirates Stadium (Inglaterra): R$ 1,4 bilhão
4º Estádio de Varsóvia (Polônia): R$ 1,3 bilhão
5º Cape Town Stadium (África do Sul): R$ 1,25 bilhão
6º King Abdhullah City (Arábia Saudita): R$ 1,24 bilhão
7º Arena Corinthians: R$ 1,20 bilhão
8º Maracanã: R$ 1,1 bilhão
9º Aviva Stadium (Irlanda): R$ 1,07 bilhão
10º Allianz Arena (Alemanha): R$ 1,05 bilhão

* o Mané Garrincha ainda ficará R$ 300 milhões mais caro com obras depois da Copa

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